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109 - Maio de 2008


DUELO BOSSA-NOVA

Na disputa de Bôscoli e Lyra, vencem amor, sorriso e flor


CARTAZ DO SHOW.



Rio de Janeiro. A Faculdade de Arquitetura da UFRJ, na Praia Vermelha, estava lotada. Acenderam-se as luzes e de cada janela do anfi teatro foi desfraldada uma bandeira, formando o nome do evento: “a noite”, “do amor”, “do sorriso” e “da fl or”. Era 20 de maio de 1960, e Ronaldo Bôscoli anunciava: “Este é realmente o primeiro festival de bossa nova mesmo. Não se espantem. É bossa nova mesmo”. Muita gente estava ali para ver João Gilberto, que acabara de estourar nas rádios com clássicos instantâneos como Samba de Uma Nota Só, Corcovado e O Pato. Além dele, participariam Tom Jobim, Nara Leão, Dorival, Nana e Dori Caymmi, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Pedrinho Mattar, entre outros. Muitos sabiam que o anúncio de Bôscoli era uma resposta a outro show que aconteceria no mesmo dia, na PUC. Ele e Carlos Lyra vinham se desentendendo desde que Lyra gravou um disco solo pela Philips, abandonando os companheiros da bossa, que se reuniam para gravar pela Odeon. Segundo Bôscoli, Carlinhos só programara o show na mesma data para atrapalhar. Cacá Diegues, presidente do diretório acadêmico de Direito da PUC, viu logo que em matéria de atrações a Faculdade de Arquitetura ganhava de goleada. No show de Lyra estariam presentes Alaíde Costa e Oscar Castro Neves representando a bossa nova, além de Juca Chaves. Prevendo falta de público, Diegues autorizou a entrada de uma escola de samba na universidade. Os dois shows lotaram. Mas foi o da Faculdade de Arquitetura que entrou para a história como o primeiro festival de bossa nova. É verdade que alguns nomes citados no cartaz não compareceram, como Tom Jobim e Dorival Caymmi. Mas isso não desanimou a platéia, afoita para ver João Gilberto, que mais uma vez botara o País de joelhos ao recém-lançar o LP O Amor, o Sorriso e a Flor.

SAIBA MAIS
Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova, de Ruy Castro (Companhia das Letras, 1990).



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