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DUELO BOSSA-NOVA
Na
disputa de Bôscoli e Lyra, vencem amor, sorriso e flor

CARTAZ DO SHOW.
Rio de Janeiro. A Faculdade de Arquitetura da UFRJ, na Praia Vermelha,
estava lotada. Acenderam-se as luzes e de cada janela do anfi teatro
foi desfraldada uma bandeira, formando o nome do evento: “a noite”,
“do amor”, “do sorriso” e “da fl or”. Era 20 de maio de 1960, e
Ronaldo Bôscoli anunciava: “Este é realmente o primeiro festival
de bossa nova mesmo. Não se espantem. É bossa nova mesmo”. Muita
gente estava ali para ver João Gilberto, que acabara de estourar
nas rádios com clássicos instantâneos como Samba de Uma Nota Só,
Corcovado e O Pato. Além dele, participariam Tom Jobim, Nara Leão,
Dorival, Nana e Dori Caymmi, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Pedrinho
Mattar, entre outros. Muitos sabiam que o anúncio de Bôscoli era
uma resposta a outro show que aconteceria no mesmo dia, na PUC.
Ele e Carlos Lyra vinham se desentendendo desde que Lyra gravou
um disco solo pela Philips, abandonando os companheiros da bossa,
que se reuniam para gravar pela Odeon. Segundo Bôscoli, Carlinhos
só programara o show na mesma data para atrapalhar. Cacá Diegues,
presidente do diretório acadêmico de Direito da PUC, viu logo que
em matéria de atrações a Faculdade de Arquitetura ganhava de goleada.
No show de Lyra estariam presentes Alaíde Costa e Oscar Castro Neves
representando a bossa nova, além de Juca Chaves. Prevendo falta
de público, Diegues autorizou a entrada de uma escola de samba na
universidade. Os dois shows lotaram. Mas foi o da Faculdade de Arquitetura
que entrou para a história como o primeiro festival de bossa nova.
É verdade que alguns nomes citados no cartaz não compareceram, como
Tom Jobim e Dorival Caymmi. Mas isso não desanimou a platéia, afoita
para ver João Gilberto, que mais uma vez botara o País de joelhos
ao recém-lançar o LP O Amor, o Sorriso e a Flor.
SAIBA
MAIS
Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova, de Ruy
Castro (Companhia das Letras, 1990).
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