Gênio brasileiro mata charada de gênio japonês

César Lattes, em 1948.
1947. Monte Chacaltaya, Bolívia. A 5.500 m de altitude, o físico César Lattes expõe chapas fotográficas à ação dos raios cósmicos. Assim, comprova a existência do méson-pi, previsto pelo físico japonês Hideki Yukawa em 1935, tentando responder a uma das perguntas da física: se o núcleo do átomo é composto por prótons (com carga positiva) e nêutrons (com carga neutra), como se mantém coeso? O méson-pi é uma partícula subatômica que garante a coesão do núcleo do átomo, responsável pelo comportamento das forças nucleares. A descoberta marca o início da física de partículas elementares, ou física de altas energias.
O curitibano Cesare Mansuetto Giulio Lattes, nascido a 11 de julho de 1924, aos 19 anos estava formado em física. Em 1946, convidado pelo ex-professor, o italiano Giuseppe Occhialini (1907-1993), juntou-se à equipe chefiada pelo físico inglês Cecil Frank Powell (1903-1969), na Inglaterra, para ajudar a achar, no interior do núcleo atômico, a partícula méson-pi. Depois dos resultados positivos na Bolívia, Lattes precisava produzir artificialmente o méson-pi. Trabalhando com um acelerador de partículas no laboratório da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, consolidou a façanha e ganhou fama internacional. A produção artificial da partícula marcou o início da corrida para a construção de aceleradores mais potentes, o que caracterizou a física nuclear do pós-guerra.
No Brasil, trabalhou pela ciência nacional e formação de novos pesquisadores. Em 1948, fundou o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, o CBPF. Participou da criação do Conselho Nacional de Pesquisas, atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Em 1969, voltou a pesquisar na Bolívia e conquistou definitivamente lugar na história. Dirigindo equipe de físicos brasileiros e japoneses determinou a massa das “bolas-de-fogo”, fagulhas microscópicas com temperatura de 10 trilhões de graus Celsius, produzidas quando raios cósmicos dão trombadas em núcleos atômicos da atmosfera.
Tags: César Lattes, física



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