ESSA ONDA VEM DE LONGE
Francês seqüestra o Rio e só devolve após receber resgate
Em 12 de setembro de 1711, um corsário francês chega ao Rio de Janeiro. René Duguay-Trouin era mais ambicioso que os seqüestradores de hoje: queria a cidade toda. Em sua esquadra de 18 navios, vêm 700 canhões e cerca de 6 mil homens a serviço da coroa francesa.
René entra numa Baía de Guanabara coberta pela neblina. Quando as tropas portuguesas se dão conta, é tarde. Pouco mais de uma semana depois, ele e seus homens bombardeiam a cidade amedrontada. Parte da população foge para o interior, inclusive o governador. Os franceses levam tudo o que encontram. O sino da Sé se transforma em presente para o rei Luís XIV.
A ação se deve a pelo menos duas razões. Uma, vingar o também corsário Jean-François Duclerc, preso e morto ao tentar invadir o Rio um ano antes. A segunda, deslocar para o Brasil o conflito com Portugal, um dos inimigos da França na guerra de sucessão espanhola.
Seja qual for o motivo, o seqüestro foi lucrativo para a França. Quase um mês depois, a 10 de outubro, são acertados os termos do resgate. O governador, a igreja e os moradores contribuem, mas demoram mais de um mês ainda para conseguir pagar.
Em 13 de novembro, René libera o Rio em troca de 1.624 libras de ouro em barras e em pó; 4 canastras de prata; 1.484 caixas, 3 barricas e uma quartola (pequena pipa) de açúcar; 1.167 barbatanas de baleia; e 200 cabeças de gado.
O fi nal da história é triste. O Rio fica completamente devastado. O governador fujão, o Vaca, segue degredado para a Índia. René passa os últimos anos de vida doente e só, pedindo favores ao rei. Hoje, há uma estátua em sua homenagem na cidade francesa de Saint Malo.
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SAIBA MAIS
O Nobre Seqüestrador, romance de Antônio Torres sobre o episódio (Record, 2003).



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