Almanaque Brasil


SÓ NO BRASIL

Renunciou à presidência e declarou:

‘FI-LO PORQUE QUI-LO’

{agosto de 2001}

Jânio Quadros condecorando Che Guevara.

Jânio Quadros condecorando Che Guevara.

Em 25 de agosto de 1961 o mais contraditório político brasileiro chocava a nação renunciando à Presidência da República. Até hoje os motivos permanecem insondáveis. Tentativa de golpe ou pressão de “forças terríveis”, como alegava?
Jânio Quadros foi um meteoro político: de vereador a presidente em 13 anos. Populista e demagogo para adversários, esfinge para admiradores. “Feio, caolho e um pouco Macunaíma, tinha o figurino e o discurso na medida para as massas exploradas e esquecidas”, afirmou o sociólogo Leôncio Martins Rodrigues.
Proibiu biquíni, lança-perfume, propôs que autoridades civis usassem conjunto safári, o chamado pijânio, no lugar de terno e gravata. Proibiu briga de galo e, como vereador, quis acabar com o comércio de Coca-Cola.
Prometia varrer corruptos da vida pública. Mas foi acusado pela própria filha de manter conta na Suíça. Em seu figurino de “homem do povo” mantinha cabelo desalinhado e caspa nos ombros (adversários diziam que era falsa, de farinha de mandioca). Andava pela direita pisando com o pé esquerdo. Na Guerra Fria, condecorou Che Guevara. Renunciou uma semana depois. Questionado pelo ato, teria respondido: “Fi-lo porque qui-lo.”

Luiz Henrique Gurgel
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