AUTOMOBILISMO
Feito histórico:
Do Rio a São Paulo em 36 dias

Os Autonautas diante do jornal O Correio na cidade paulista de Cruzeiro.
Fim de tarde no sossegado bairro da Penha, São Paulo. Ao longe, no velho caminho que vem do Rio, soa o ronco de algo que se aproxima rapidamente. Surge na curva um veículo levantando nuvens de poeira.
A viagem começou 36 dias antes, na então capital federal. Na noite de 7 de março de 1908, um aventureiro francês, conde Pierre Lesdain, partiu a bordo de um Brasier de 16 cavalos, acompanhado de três assistentes - os motoristas de praça Henri Trotet, Gaston Conte e Albert Vivès. Pela primeira vez um automóvel ligava as duas cidades.
A epopéia percorreu caminhos que existiam desde 1754, freqüentados apenas por cavalos, tropas de mulas e juntas de bois. Por onde passava, o conde era atração. Em Barra do Piraí, o major Luís Barbosa da Silva, entusiasmado, juntou-se ao grupo como guia. Perto de Vargem Grande, o Brasier precisou da ajuda de 32 bois para atravessar um atoleiro de 200 metros. Em Barra Mansa, por pouco não acabam no abismo. Em Bananal, viajam 28 quilômetros pelo leito da estrada de ferro, passando por pontes sobre os rios Bananal e Bocaina.
Em 11 de abril, com 700 quilômetros percorridos e muita poeira engolida, os autonautas chegam a São Paulo e são recebidos como heróis.
Tags: automóveis, carros, Pierre Lesdain, Rio-São Paulo



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