Americano filma odisséia e vive tragédia

Orson Welles com Lourival Fontes, diretor do departamento de imprensa e propaganda do governo de Vargas.
Há 60 anos, em 8 de fevereiro de 1942, o cineasta americano Orson Welles, diretor de Cidadão Kane, chegava ao Brasil. Vinha rodar episódios para It’s All True (É Tudo Verdade). Welles queria filmar o carnaval carioca e a história de quatro pescadores cearenses que em 1941 viajaram de Fortaleza ao Rio numa jangada.
Os seis meses no País transformaram-se em saga. Filmou escolas, desfiles, o Cassino da Urca e favelas. Contratou Grande Otelo, que virou amigo e guia. Mas Getúlio Vargas não teria gostado ao saber que filmava favelas. Produtores americanos também não. Diziam que Welles só mostrava “pretos pulando para cima e para baixo”. Por conta própria filmou os jangadeiros. Outro desastre. Um deles desaparece, tragado pelas ondas. Welles não desiste. Filma obra-prima sobre os jangadeiros de Fortaleza. Mas as dificuldades impedem Welles de concluir o projeto. As latas do lendário filme foram encontradas em 1982, três anos antes de Welles morrer. Não conheceu o resultado, um dos mais belos e fortes retratos do Brasil visto pelo olhar estrangeiro.
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