Almanaque Brasil


Americano filma odisséia e vive tragédia

{fevereiro de 2002}
Orson Welles com Lourival Fontes, diretor do departamento de imprensa e propaganda do governo de Vargas.

Orson Welles com Lourival Fontes, diretor do departamento de imprensa e propaganda do governo de Vargas.

Há 60 anos, em 8 de fevereiro de 1942, o cineasta americano Orson Welles, diretor de Cidadão Kane, chegava ao Brasil. Vi­nha rodar episódios para It’s All True (É Tudo Verdade). We­l­les que­ria fil­mar o car­na­val ca­ri­o­ca e a his­tó­ria de qua­tro pes­ca­do­res ce­a­ren­ses que em 1941 vi­a­ja­ram de For­ta­le­za ao Rio numa jan­ga­da.
Os seis meses no País trans­for­ma­ram-se em saga. Fil­mou es­co­las, des­fi­les, o Cas­si­no da Urca e fa­ve­las. Con­tra­tou Gran­de Ote­lo, que virou amigo e guia. Mas Ge­tú­lio Vargas não teria gos­ta­do ao sa­ber que filmava favelas. Pro­du­to­res ame­ri­ca­nos tam­bém não. Di­zi­am que We­l­les só mos­tra­va “pre­tos pu­lan­do para cima e para bai­xo”. Por conta pró­pria filmou os jan­ga­dei­ros. Ou­tro de­sas­tre. Um de­les de­sa­pa­re­ce, tra­ga­do pelas on­das. We­l­les não desiste.  Filma obra-prima sobre os jan­ga­dei­ros de For­ta­le­za. Mas as di­fi­cul­da­des im­pe­dem Welles de con­cluir o projeto. As latas do len­dá­rio filme foram en­con­tra­das em 1982, três anos an­tes de We­l­les morrer. Não conheceu o re­sul­ta­do, um dos mais belos e for­tes re­tra­tos do Brasil visto pelo olhar estrangeiro.

Luiz Henrique Gurgel
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