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Baixou
o espírito
de Gaudí na favela
Em meio a barracos sem
reboco, uma habitação se destaca na favela
de Paraisópolis, capital paulista: o "castelo"
de Estevão Silva da Conceição,
construído com sobras de materiais.
Baiano de Santo Estevão, deixou o nordeste adolescente.
Como servente, trabalhou dez anos na construção
civil em várias cidades. Hoje trabalha como jardineiro
em prédio de classe alta, no Morumbi.
Aborrecido com a paisagem cinza da favela, fez um jardim
em casa. Suspenso. De concreto e ferro, a casa é
formada por arcos que se entrelaçam, revestidos
de materiais coloridos. Paredes sinuosas; escadas irregulares.
Decorou com pedrinhas, tampas de garrafa, cacos de ladrilhos,
cacos de vidro. Cômodo enfeitado com estrelas
recortadas de madeira e pintadas a mão; mesa
feita de pratos e xícaras; bules se transformam
em lustres. Solário de ervas e flores: bromélias,
lírios-da-paz, antúrios, orquídeas.
O trabalho de 17 anos, segundo Estevão, não
acabou.
A casa atraiu curiosos, arquitetos, jornalistas. Estevão
passou a ouvir falar de "um tal de Gaudí",
arquiteto espanhol que virou sinônimo de excentricidade
pelas construções de formas orgânicas
espalhadas por Barcelona.
Em 2001, o cineasta brasileiro Sergio Oksman, que vive
na Espanha, conheceu o trabalho de Estevão. Apresentou-o
aos organizadores dos comemorativos dos 150 anos de
Antonio Gaudí (1852-1926). A convite do Centro
de Estudos Gaudinistas, Estevão embarcou para
Barcelona e virou estrela do documentário Gaudí
na Favela, de Sergio.
O que importa é que o nosso artista constrói
sua habitação com amor.
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