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21 de Agosto: Dia da Habitação

Baixou o espírito de Gaudí na favela

Em meio a barracos sem reboco, uma habitação se destaca na favela de Paraisópolis, capital paulista: o "castelo" de Estevão Silva da Conceição, construído com sobras de materiais.

Baiano de Santo Estevão, deixou o nordeste adolescente. Como servente, trabalhou dez anos na construção civil em várias cidades. Hoje trabalha como jardineiro em prédio de classe alta, no Morumbi.

Aborrecido com a paisagem cinza da favela, fez um jardim em casa. Suspenso. De concreto e ferro, a casa é formada por arcos que se entrelaçam, revestidos de materiais coloridos. Paredes sinuosas; escadas irregulares. Decorou com pedrinhas, tampas de garrafa, cacos de ladrilhos, cacos de vidro. Cômodo enfeitado com estrelas recortadas de madeira e pintadas a mão; mesa feita de pratos e xícaras; bules se transformam em lustres. Solário de ervas e flores: bromélias, lírios-da-paz, antúrios, orquídeas. O trabalho de 17 anos, segundo Estevão, não acabou.

A casa atraiu curiosos, arquitetos, jornalistas. Estevão passou a ouvir falar de "um tal de Gaudí", arquiteto espanhol que virou sinônimo de excentricidade pelas construções de formas orgânicas espalhadas por Barcelona.

Em 2001, o cineasta brasileiro Sergio Oksman, que vive na Espanha, conheceu o trabalho de Estevão. Apresentou-o aos organizadores dos comemorativos dos 150 anos de Antonio Gaudí (1852-1926). A convite do Centro de Estudos Gaudinistas, Estevão embarcou para Barcelona e virou estrela do documentário Gaudí na Favela, de Sergio.

O que importa é que o nosso artista constrói sua habitação com amor.

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