
Parabéns
para o ALMANAQUE
Por Marco
Antonio Bologna
Neste
mês de agosto o ALMANAQUE chega a sua centésima edição.
Trata-se, sem dúvida, de um acontecimento a comemorar. Nesse
mercado editorial abarrotado de publicações de todos os
tipos, alcançar tal marca é notável. Ainda mais
tratando de um assunto que especialistas da área poderiam considerar
de pouco apelo: a cultura brasileira, em sua acepção mais
ampla.
O projeto da revista, como já contei neste mesmo espaço,
é fruto da persistência de seu criador, Elifas Andreato,
e da convicção do Comandante Rolim – fundador da
TAM – de que é preciso lembrar o Brasil aos brasileiros,
resgatar as boas histórias, levar adiante os ensinamentos de
personagens ilustres que dedicaram suas vidas ao País.
O
número 1 da revista, publicado em abril de 1999, vinha também
para resgatar um formato há muito esquecido: o dos antigos almanaques.
Quem pensa neles lembra logo dos distribuídos gratuitamente nas
farmácias. Foram muitos: Almanaque Bristol, Capivarol, Bayer,
Gessy, Sadol. E, claro, o Almanaque do Biotônico Fontoura, cuja
primeira edição, de 1920, foi toda elaborada por Monteiro
Lobato. Com mais de 165 milhões de exemplares distribuídos
ao longo de quase 70 anos, a publicação ficou célebre
por trazer aos leitores o Jeca Tatu, personagem que tornou-se símbolo
do homem do campo brasileiro. Num país com altos índices
de analfabetismo, o Almanaque do Biotônico desafiava as estatísticas.
Com tiragem elevada e distribuição gratuita, abrangia
até as regiões mais carentes de atendimento hospitalar,
com dicas de higiene e saúde. Uma verdadeira enciclopédia
popular.
O
sucesso do nosso ALMANAQUE deve-se, certamente, à conjugação
desse saudoso formato à luz dos recursos digitais hoje disponíveis;
da combinação de uma linguagem universal – curta,
leve, atraente – a temas importantes para a definição
da nossa identidade brasileira.
Nessas 100 edições, o apoio da TAM ao ALMANAQUE possibilitou
a distribuição de mais de 10 milhões de exemplares
da revista – não só aos nossos passageiros, mas
também em escolas públicas, bibliotecas e dezenas de centros
de estudos brasileiros espalhados pelo mundo. O ALMANAQUE, para nós,
não é apenas uma publicação de bordo, mas
uma garantia da preservação e perpetuação
da memória do País.
Marco
Antonio Bologna é presidente da TAM.