A reclamação é feita em puro tom de brincadeira. Mas o fato é que, apesar dos mais de 50 anos de presença na imprensa, da criação do mais festejado jornal alternativo do País, da produção de discos e direção de espetáculos memoráveis, vira e mexe vem a pergunta: “Você por acaso é parente do Sérgio Cabral?”. Sim, ele é parente do governador do Rio. Pai, mais precisamente. Mas ele não se aborrece com a confusão. Na verdade, se diverte. E, contra a falta de memória nacional, toca a carreira contando a história da música popular brasileira a partir da vida de seus protagonistas. Já são oito os biografados, num escrete que vai de Pixinguinha a Ataulfo Alves – o último a entrar na seleção. Quando dizem que é escritor, retruca: “Minhas biografias são reportagens. O que sou é repórter”.