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Mestre Athayde E-mail
Escrito por Janaina Abreu   

Anjo mulato

Encheu igrejas de cores, revestiu de ouro. Pintou querubins e Nossa Senhora dos Mestiços. Obra que o consagra como um dos principais artistas do barroco e aponta para uma arte nacional.

Século 18. A riqueza do Ciclo do Ouro torna Minas Gerais importante; efervescência política que levará à Conjuração Mineira. Ensaiam-se passos em direção a uma criação artística ligada aos futuros contornos nacionais.

Patrocinados pelas irmandades que viviam de verbas e donativos dos fiéis, artesãos constroem igrejas e conventos.

Distantes das escolas europeias, mas recebendo influências da Corte, desenvolvem estilo próprio.

Nesse ambiente amadurece, ao lado do escultor Aleijadinho (1730-1814), um dos principais nomes da pintura brasileira: Manoel da Costa Athayde.

Militar e artista
Nascido em Mariana em 1762, Athayde era filho de portugueses. Por influência do pai, o militar Luís da Costa Athayde, entrou para a carreira como cabo de esquadra. Passou a sargento; alferes em 1799.

Começou a pintar por volta de 1781. Registros referem-se a obras para o santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, e para a Ordem Terceira do Carmo de Mariana: encarnação de imagens (a técnica consiste em fazer uma imagem parecer real).

Historiadores creem que tenha recebido influência do pintor mineiro João Batista de Figueiredo, devido a semelhanças entre as técnicas. Sabe-se que passa a ser Mestre Athayde em 1818, quando recebe do Senado da Câmara de Mariana atestado de professor das "Artes de Arquitetura e Pintura". Sem sucesso, em carta a João VI, pede autorização para criar a Aula de Desenho de Arquitetura Civil e Militar e da Arte da Pintura em sua cidade.

Criava outro mundo
A atividade de Mestre Athayde abrange douramento; encarnação; pinturas em paredes; pinturas de cavalete (telas); painéis; e pintura decorativa de forros e tetos de igrejas.

Usava como referência ilustrações de Bíblias e catálogos importados da Europa. Fazia a transposição das imagens, simplificava os originais, adequava ao espaço e aos recursos disponíveis.

É a partir do século 19 que Athayde realiza trabalhos de vulto, como as pinturas do forro da sacristia da igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Mariana, por volta de 1800; pinturas do forro da capela-mor da Igreja Matriz de Santo Antônio (1806); forro da capela-mor da matriz de Santo Antônio, em Itaverava (1811); pintura do forro da capela-mor da igreja de Nossa Senhora do Rosário (1823); e painel Última Ceia, para o Colégio do Caraça, em Santa Bárbara (1828).

Nos tetos de igrejas desenhava colunas, paredes, púlpitos e outros elementos arquitetônicos em perspectiva. A técnica criava a ilusão de profundidade e dava aos fiéis impressão de que havia outro mundo acima.

Até 1818, encarna e doura as imagens de Aleijadinho para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo.

Encontro de gigantes
O grande encontro dos dois maiores expoentes da arte brasileira do século 18 em Minas Gerais - Aleijadinho e Mestre Athayde - é a igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Obra-prima de gênios, realizada entre 1765 e 1810.

Athayde pinta o forro, uma das principais obras da arte sacra brasileira, a Assunção da Virgem. Substitui rosados querubins dos modelos europeus por anjinhos mulatos. E Nossa Senhora tem traços da companheira do pintor, a mulata Maria do Carmo Raimunda da Silva, com quem teve quatro filhos.

Oficialmente, morreu solteiro, a 2 de fevereiro de 1830, provavelmente antes de completar 68 anos, pois a certidão de batismo data de outubro de 1762. Foi sepultado na igreja de São Francisco de Assis, em Mariana.
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