Almanaque Brasil


7 DE ABRIL - DIA MUNDIAL DA SAÚDE

300 RÉIS POR ROEDOR

Vendedores de rato faturaram com combate à peste bubônica

{abril de 2009}
Oswaldo Cruz

Oswaldo Cruz

O começo do século 20 foi marcado por graves doenças que assolaram as capitais brasileiras. Terror da população, as enfermidades encontraram no médico sanitarista Oswaldo Cruz um bravo combatente. Ocupando um cargo que hoje corresponderia ao de Ministro da Saúde, ele foi o mentor de diversas campanhas de controle de epidemias,
na época polêmicas, como a da vacina obrigatória contra a febre amarela e outra menos conhecida: a da caça aos ratos.
Na realidade, os roedores eram apenas coadjuvantes. O objetivo mesmo era exterminar as pulgas que viviam neles, causadoras da peste bubônica. Em 1902, Cruz nomeou 50 funcionários vacinados para o cargo de “caçadores de ratos”. Eles saíam pelo Rio de Janeiro em busca dos roedores. Passavam pelas ruas jogando veneno e gritando: “Rato, rato, rato!”. Recebiam 300 réis por cada um.
É evidente que logo apareceram espertalhões, que buscavam animais em outras cidades ou criavam seus próprios bichinhos para venda.ACERVO CASA DE OSWALDO CRUZ
Como não poderia deixar de ser, foram diversas as canções que ironizavam as ações do período. Entre elas, uma interpretada pelo ator Alfredo Silva em 1904, que terminava assim: Rato velho, como tu faz horror / Nada valerá teu qui-qui / Morrerás e não terás quem chore por ti / Vou provar-te que sou mau / Meu tostão é garantido / Não te solto nem a pau.
O resultado da campanha foi além de alguns tostões a mais no bolso da população. Fala-se em até um milhão de roedores exterminados e uma diminuição quase completa dos casos de peste bubônica.

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Saiba mais Ouça gravações da época sobre a caça aos ratos, em pesquisa do jornalista Franklin Martins.

Mariana Albanese
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