3 de julho - dia dos incrédulos
FAZ 60 ANOS
Seita nipo-brasileira mata quem diz que Japão perdeu a guerra
Intolerância étnica não era monopólio da Alemanha na década de 1930. No Brasil, o governo Vargas persegue judeus e japoneses. Alegação: essas etnias não seriam boas para a formação da “raça” brasileira. A Segunda Guerra aflige os filhos do Sol Nascente, nosso inimigo no front, junto com Alemanha e Itália, o Eixo.
Censurados, japoneses são presos e interrogados. Fundam associações clandestinas a fim de amparar seus membros. O fim da guerra é noticiado somente em português. A língua japonesa estava proibida. Desconfiados das autoridades e da imprensa, muitos japoneses e descendentes não acreditam que o Japão
capitulou em 1945. Três meses após a rendição, circulam boatos de que “as forças japonesas liquidaram 150 mil soldados americanos”.
Acreditam também que o imperador japonês derrubou Vargas em 29 de outubro. Em meio a esse clima de desconfiança nasce a Shindô-Renmei, sociedade de imigrantes que recruta jovens (tokkotai) da colônia para combater compatriotas que acreditassem na derrota. Com mais de 60 filiais no interior de São Paulo e Paraná, a organização é responsável pela morte de mais de 20 imigrantes entre 1946 e 1947.
A repressão é implacável: mais de mil indiciados e 30 mil presos. Exemplo de fanatismo, é um momento sombrio da história da imigração japonesa no Brasil.
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SAIBA MAIS
Shindô-Renmei: Terrorismo e repressão, de Rogério Dezem (Arquivo do Estado de São Paulo/Imprensa Oficial, 2000)



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