Almanaque Brasil


16 DE FEVEREIRO - DIA DO REPÓRTER

Para virar presidente, demolia presidentes

{fevereiro de 2002}
Carlos Lacerda

Carlos Lacerda

Em 1954, o País vivia dias tensos. O jornalista Carlos La­cer­da era um dos principais responsáveis pelo clima, ao mo­ver opo­si­ção tenaz ao governo. Quando volta para casa na Rua To­ne­le­ros, Rio, sofre atentado. Uma bala no pé. Outra bala mata o major que o acompanha, espécie de guarda-costas. O aten­ta­do pre­ci­pi­ta a crise e culmina com o suicídio de Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954.
O carioca Carlos Frederico Werneck de Lacerda começou no Diário de Notícias como repórter em 1929. Comunista na ju­ven­tu­de, tornou-se anticomunista em 1939 e passou para a ex­tre­ma direita.
Com seu jornal Tribuna da Imprensa, combateu Vargas sem dar trégua. “Demolidor de presidentes”, participou da ten­ta­ti­va de golpe contra Juscelino em 1955 e colaborou para der­ru­bar Jâ­nio em 1961. Participou do golpe que derrubou João Goulart em 1964: achava que a ditadura duraria pouco. Com a con­so­li­da­ção da ditadura, uniu-se a JK e Goulart na Frente Ampla para res­tau­rar a democracia.
Lacerda nunca escondeu o projeto de chegar à presidência da República. Foi vereador, deputado federal e governador do ex-Estado da Guanabara.
Cassado em 1968, dedicou-se à atividade editorial. Publicou A Casa de Meu Avô (1977), livro de memórias. Foi homem da pa­la­vra, oral e escrita. Seus discursos e artigos abalaram a Re­pú­bli­ca. De repórter, tornou-se um dos mais combativos e com­ba­ti­dos líderes conservadores. Morreu em 1977 aos 63 anos, longe do poder, sua eterna obsessão. Sina prevista por Samuel Wainer, outro repórter que cortejou o poder, só que postado à esquerda, por meio de seu jornal Última Hora, que Lacerda ajudou a des­truir com o golpe militar. Samuel dizia:
“Lacerda me tirou a Última Hora, mas um gostinho eu te­nho: ele nunca será presidente da República.”

Janaina Abreu
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