7 DE ABRIL - DIA NACIONAL DO JORNALISTA
REPORTAGEM HISTÓRICA
Matéria de Freire só saiu no leito do hospital
– O que foi, Mori?
– Você está morrendo.
– Por que você me carrega?
– Não consegui nenhum médico. Jornalista não morre na cama. Vou te deitar no meio da rua, pra você morrer lá, seu filho da puta.
A cena é real, transcorrida nos bastidores de uma das mais importantes passagens da imprensa brasileira. Publicada em 1967 pela revista Realidade, mostrava o cotidiano de garotos de 8 a 12 anos que moravam nas ruas de Recife.
Foi escrita pelo psiquiatra e escritor Roberto Freire (que estava morrendo na abertura deste texto) e fotografada por Geraldo Mori.
Para ganhar a confiança dos menores, a dupla passou a viver pelas ruas da cidade. O ambiente era duro. Varavam noites com traficantes, prostitutas, cafetões. Chegaram a participar de assaltos a padarias e assistir ao espancamento de um garoto até a morte, sem nada poderem fazer.
Mas o fato que quase fez Freire morrer do coração foi ver meninas de 10 anos sendo entregues por pais humildes, camponeses, à proprietária de uma casa de prostituição recifense. Lembrou da cena na cama do hotel e por pouco não teve um infarte. Foi levado para a calçada – com Mori apertando sua mão e chorando muito –, até que uma ambulância o encaminhasse para o hospital.
Com a ajuda do fotógrafo, parte dos meninos conseguiu entrar no hospital para um último encontro. Conversaram a noite toda e, com as entrevistas completas, Freire pôde fechar a matéria, com a qual ganhou o Prêmio Esso de Reportagem em 1967.
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Saiba Mais Ame e Dê Vexame, de Roberto Freire (Novo Paradigma, 2003).
Tags: Ame e Dê Vexame, Jornalista não morre na cama, Realidade, Roberto Freire



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