Almanaque Brasil


4 DE NOVEMBRO - DIA DO INVENTOR

João cria máquina de escrever, Remington leva a fama

{novembro de 2001}
Máquina do Padre Francisco João de Azevedo.

Máquina do Padre Francisco João de Azevedo.

Desde o século 18, inventores procuravam encontrar sis­te­ma de escrita mais veloz e mais claro que o ma­nus­cri­to. Em 16 de novembro de 1861, o padre paraibano Fran­cis­co João de Aze­ve­do apresentou na Exposição In­dus­tri­al e Agrí­co­la da Pro­vín­cia de Pernambuco uma máquina de es­cre­ver.
“Tem a configuração de uma espécie de piano pe­que­ni­no. As letras que compõem uma sílaba saem impressas no papel em uma mesma linha horizontal”, explicava o catálogo.
Mudava-se de linha acionando pedal. Sucesso. Exaltação pa­tri­ó­ti­ca. Jornais de Pernambuco saudavam “a ca­pa­ci­da­de cri­a­ti­va de um autêntico e iluminado filho do Nor­des­te”. A peça seguiu para a Exposição Nacional do Rio de Janeiro. Novo fu­ror. Padre Azevedo é premiado pelo imperador Pe­dro II. A máquina iria para a Exposição In­ter­na­ci­o­nal de Londres no ano seguinte. Aca­bou ficando.
“Falta de espaço no pavilhão brasileiro”, alegavam or­ga­ni­za­do­res.
O Brasil expôs café, madeiras, minérios, borracha, fru­tos, al­go­dão, fumo e quetais. Máquina, nenhuma.
O padre volta a Pernambuco sem apoio para desenvolver o in­ven­to. Biógrafos afirmam que americanos se apo­de­ra­ram da máquina. De fato, poucos anos depois, Philo Remington, rico armeiro americano, fabricava máquinas semelhantes à de Aze­ve­do, criadas pelo tipógrafo Cris­tó­vão Scholes. Ironia da his­tó­ria, na década de 1980 o Bra­sil viria a ser o maior produtor mundial de máquinas de escrever.

Luiz Henrique Gurgel
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