Almanaque Brasil


25 CARNAVAL

CONCURSO DE BAMBAS

Espinguela fundou a Mangueira, mas premiou a Portela

{fevereiro de 2009}

Zé Espinguela

Zé Espinguela

Quem poderia imaginar que um dos maiores espetáculos populares do mundo tenha saído de um fundo de quintal? Pois assim foi. Enquanto o Rio de Janeiro pulava o Carnaval ao som de marchinhas, José Gomes da Costa – ou Zé Espinguela, um dos fundadores da Mangueira – inventava um concurso que mudaria a história desta festa tão brasileira.
Em janeiro de 1929, o sambista e pai-de-santo deu início ao primeiro concurso de compositores disputado pelas escolas de samba cariocas. Nada da grandiosidade da Marquês de Sapucaí – palco dos desfiles das escolas de samba desde 1984. A disputa ocorreu mesmo nos fundos da casa do criador.
Participaram da competição Mangueira, Portela – na época Vai Como Pode – e Estácio. Imparcial, Espinguela premiou o samba portelense Não Adianta Chorar, de Heitor dos Prazeres.
Morador do Engenho de Dentro, o sambista fez da Mangueira o seu segundo lar, motivo suficiente para despertar o ciúme da esposa, que sabia que, além do samba, o marido tinha outras razões para dormir fora de casa.
Em 1944, ele acordou o morro praticamente anunciando a sua morte. Cantou para que todos pudessem ouvir sua nova composição: Bem que eu quero esperar / Mas existe um porém / Sinto a minha memória cansada / Essa simples melodia / Serve de último adeus / Adeus, escola de samba / Adeus, Mangueira / Adeus.
Morreu dois dias depois, sem ter tempo de ver a festa do samba tomar o Rio e transformar-se no maior espetáculo da Terra.

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Saiba Mais Almanaque do Carnaval, de André Diniz (Zahar, 2008).

Nara Soares
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