Almanaque Brasil


3 de julho - dia do algodão

De Meia Ponte para o mundo

Babilônia goiana conquistou a Inglaterra

{julho de 2007}
Sede da fazenda Babilônia

Sede da fazenda Babilônia

Em 1795, um goiano de nome Joaquim Alves de Oliveira chega a Meia Ponte, Goiás, resolvido a mudar o destino da microrregião. A extração de ouro até a metade do século 18 havia trazido certo progresso, mas a crise que veio a seguir provocou franca decadência. Joaquim inicia sua empreitada: constrói um engenho de açúcar, planta mandioca e - de olho na Inglaterra, então em plena Revolução Industrial - investe na cultura do algodão.
A produção da fibra atinge escala industrial, e os ingleses passam a comprar toda a produção de fios da região, considerados dos melhores do mundo. O faturamento de Joaquim ultrapassa o do resto da província. Em pouco tempo, adquire cerca de 200 escravos e 300 muares. Meia Ponte centraliza as rotas comerciais da região, chegando e partindo dali tropas de Salvador e do Rio de Janeiro. O êxito da fazenda alavanca toda a economia goiana.
Chama a atenção de personalidades como o naturalista Auguste de Saint-Hilaire, que, em seu livro Viagem à Província de Goiás, descreve: Reinavam ali limpeza e ordem que eu não vira em outra parte; uma fazenda modelo.
Em 1864 a propriedade é comprada por Padre Simeão, que se espanta com a quantidade de trabalhadores e escravos. Mais parecia a Babilônia.O nome pegou: Fazenda Babilônia. Uma das mais antigas da região, em 1965 foi tombada como patrimônio histórico. Vinte anos depois, passou a ser aberta à visitação. Hoje é objeto de estudo para pesquisas históricas e arqueológicas.

SAIBA MAIS
Viagem à Província de Goiás, de Auguste de Saint-Hilaire (Livraria Itatiaia Editora, 1975).

Danilo Ribeiro Gallucci
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