27 DE FEVEREIRO - DIA DOS VELHINHOS
Quem inspirou Cartola merece a fama que tem
1976

Dona Zica, a eterna Primeira-Dama da Mangueira
Espantada com a quantidade de rosas que nasciam no jardim, perguntou ao marido se sabia o motivo.
“Sei lá, as rosas não falam.”
Quinze dias depois, estava pronto o samba As Rosas Não Falam. Autor: Cartola. Homenageada: sua mulher. Conhecida nacionalmente como primeira-dama da Mangueira, ela nasceu numa tarde de domingo de carnaval. O nome Euzébia da Silva soou estranho para a madrinha, que a apelidou Zica para sempre.
Aos quatro anos, muda com a família para o Morro da Mangueira. Aos sete, troca a escola pelo trabalho de empregada doméstica.
“Era tratada como escrava.”
Levava surra quando a patroa não ficava satisfeita com o serviço. Pediu demissão. Passou a trabalhar com a mãe, lavando e cozinhando para fora. Já desfilava no carnaval, no bloco do tio Júlio, dos primeiros a aparecer no morro. Em 1928, Cartola, o futuro marido, fundou a Escola de Samba Mangueira. Zica saiu de baiana.
Casada aos 19 anos com um fundidor, teve cinco filhos. Quatro morreram. Adotou mais um. Em 1952, visitava a irmã quando caiu nas graças de Angenor de Oliveira.
“Cartola e eu nos conhecíamos desde crianças. Cartola casou com uma moça e eu casei com outro rapaz. Ficamos muito tempo longe um do outro. Fiquei viúva, ele também. Quando nos reencontramos, ele jogou aquele papinho dele, eu também estava à toa, e daí fomos morar juntos.”
Casaram depois de 12 anos no Restaurante Zicartola. Sonho antigo.
“Eu cozinhava, ele tocava.”
O restaurante durou pouco.
“Tivemos que fechar por causa das dívidas. Ele deixava os amigos pagar fiado.”
Zica foi fundamental na vida de Cartola. Acompanhou-o nas apresentações até 1980, quando ele morreu. Aos 87 anos, vive para o samba e para a Mangueira. Integrante da Velha Guarda, apresenta-se com o grupo, trabalha em projetos sociais e faz as honras da casa quando alguém visita o morro.
“Este é o meu lugar e tenho o maior prazer de apresentá-lo para o mundo inteiro.”



Carregando... 

- 2008, Andreato Comunicação e Cultura