Banner
Carta Enigmática E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

Este ator costumava dizer: “Cada personagem é uma vida. Tenho pena de quem vive uma vida só.”

O prefeito de Maceió não queria saber do filho ser ator: “Se subir num palco, saio da plateia e arranco pela gola”. Mas a mãe foi cúmplice. Deu a Pelópidas uma reserva de dinheiro para alguns meses e lá se foi ele para o Rio de Janeiro – “a pé”, como costumava dizer. Assim começou a história de um dos grandes nomes do rádio, da televisão, do teatro e do cinema brasileiros.

Depois que chegou na então capital da República, seu bolso esvaziou-se em menos de um mês. Estudava Direito e sobrevivia com pequenos favores e malandragens, muitas vezes dormindo ao relento. Até conhecer uma garota de um grupo de teatro que o levou para os palcos.

De lá, fisgado pelo rádio, tornou-se um dos maiores radioatores dos anos 1940. E também apresentador de sucesso. Seu programa dominical na Rádio Nacional, com seis horas de duração, lançou cantores como Roberto Carlos, Luiz Gonzaga e Elis Regina. Participaria ainda de diversos filmes, com destaque para os do Cinema Novo, muitas peças importantes e outras tantas novelas.

Foi Albertinho Limonta, em Direito de Nascer; coronel Ramiro Bastos, em Gabriela; Tucão, em Bandeira 2. No programa humorístico Balança Mas Não Cai, foi o Primo Rico, fazendo par com Brandão Filho, o Primo Pobre. “Vamos deixar de lado os entretantos e ir direto aos finalmentes!”, exclamava seu personagem mais marcante: Odorico Paraguassu, em O Bem Amado. Morreu em 4 de setembro de 1995. “Eu representei na vida e vivi no palco”, dizia. E completava: “Cada personagem é uma vida. Tenho pena de quem vive uma vida só”.

Resposta

 

Adicionar comentário

Seus comentários serão moderados e assim que aprovados serão publicados no site.