

TEXTO:
DANILO RIBEIRO GALLUCCI
ARTE: GUILHERME RESENDE
FOTOS: CLÁUDIO LARANGEIRA

O
primeiro carro a ser produzido no Brasil, temos que reconhecer,
era meio estranho: tinha motor de motocicleta, formato ovóide,
uma única porta dianteira e lugar para apenas duas pessoas. O
carrinho, capaz de rodar 25 quilômetros por litro, era adequado
à realidade italiana do pós-guerra, mas foi abandonado pela fabricante
Iso em 1956, mesmo ano em que a Romi, de Santa Bárbara d’Oeste,
São Paulo, iniciava a produção da versão ítalo-brasileira. Contradições
da vida: JK, presidente impulsionador de nossa indústria automobilística
– e que chegou a Brasília, depois da Caravana de Integração Nacional,
a bordo de uma Romi-Isetta – foi o responsável pela falência do
modelo, ao conceder facilidades fi scais apenas de produção da
versão ítalo-brasileira. Contradições da vida: JK, presidente
impulsionador de nossa indústria automobilística – e que chegou
a Brasília, depois da Caravana de Integração Nacional, a bordo
de uma Romi-Isetta – foi o responsável pela falência do modelo,
ao conceder facilidades fiscais apenas para automóveis
com mais de três lugares e duas portas.

Se
os carros, além do samba e do futebol, são paixão nacional, não
há pesquisa que comprove. Talvez estejam mais para necessidade
nacional, vagando nas frestas das grandes cidades brasileiras
que nunca deram ao transporte público – ou mesmo ao individual,
a pé ou de bicicleta – a devida atenção. Mas não é desses veículos
que entopem ruas e largas avenidas que vamos aqui falar nesse
Dia do Automóvel, celebrado todo ano em 13 de maio. E sim de carrinhos
e carrões que fi zeram a cabeça de diversas gerações desde que
Santos-Dumont (sim, o pai da aviação) mandou trazer o primeiro
carro que desfi lou pelas ruas brasileiras. De lá até que fosse
fabricado o primeiro veículo em série no Brasil muito tempo se
passou. E apesar de toda a cerimônia – com JK chegando a Brasília
a bordo dela e tudo mais – a Romi-Isetta não viveu nem mais dois
anos para contar história. Mas entrou para a história. Assim como
o Dodginho, o DKW, o Galaxie, o Miura e, claro, o Fusca.

Carros
projetados no Brasil ou que, apesar de terem vindo de fora, se
ajustaram às nossas linhas de montagem e por aqui se sentiram
tão em casa que podemos dizê-los naturalizados brasileiros. E
para completar essa festa de nostalgia, eles estão todos apresentados
no formato de um jogo de cartas que divertiu gerações de afi cionados
pelas máquinas sobre rodas, o Super Trunfo – embora não se tenha
notícia de uma coleção só com carros brasileiros. Aproveite: recorde,
compare suas características; copie e recorte as cartas, se quiser
ir mais a fundo. Talvez até seja uma Boa diversão para quando
estivermos presos num engarrafamento.

Primeiro
carro tinha fornalha , caldeira e chaminé
Quando Alberto Santos-Dumont avistou
pela primeira vez um carro com motor de combustão interna, na
França, em 1891, os automóveis eram a novidade do momento: “Parei
diante dele como pregado pelo destino”, contou o pai da aviação.
Acabou comprando um exemplar e trazendo para o Brasil. Foi o primeiro
carro a circular por estas bandas. Fabricado pela Daimler, possuía
fornalha, caldeira e chaminé. Anos depois, Alberto fez com que
seu irmão Henrique lhe comprasse um outro automóvel para utilizar
em suas experiências aeronáuticas, que culminariam, em 1906, com
o 14-Bis.
Combustível direto
da pastelaria
No
início de 2007, o engenheiro mecânico Thomas Fendel homologou
o primeiro carro movido a óleo de cozinha do Brasil. Depois de
algumas tentativas fracassadas junto ao Detran, conseguiu uma
ação judicial que autorizava seu Passat Variant 1995 a andar pelas
ruas legalmente. O mesmo óleo que se joga no lixo depois de fritar
uma batata ou um acarajé, Thomas aproveita para movimentar seu
veículo. Serve óleo de soja, dendê, mamona, babaçu. Com essa tecnologia,
garante o engenheiro, pode rodar até 50 quilômetros por litro.

Veículo pé de cana
O
primeiro carro a álcool do País, quem diria, ganhou as ruas nos
idos de 1925. O Ford adaptado foi colocado à prova na primeira
corrida do Automóvel Clube do Brasil, no Circuito da Gávea, Rio
de Janeiro. A mistura contava com quase 70% de álcool hidratado.
Era quase aguardente. E parece que o carro gostou da mistura:
fez uma média de cinco quilômetros por litro.

SAIBA MAIS
Alguns Aspectos da História do Automóvel no Brasi l, de Fabio
St einb ruch (Tempo e Memória, 2005). • Gurge l – Um sonho forjado
em fibra, de Lélis Caldeira (Labortexto, 2004). • A lmanaq ue
do Fusca, de Fabio de Sousa Kataoka (Ediouro, 2006). • Site da
revista Quatro Rodas: www.quatrorodas.abril.com.br