Para falar a verdade não estou certo de quando preguei minha primeira mentira. Também esqueci qual foi a última. Claro que minto. Se dissesse que só falo a verdade, vocês me chamariam de mentiroso, no que estão certos.
Não conheço nenhum cara que não seja filho da mãe. No bom sentido. Já deu para percebe que também tive mãe. Filho de Deus, sim. E filho da mãe, com muita honra. Dizem que mãe é uma só. Pode ser. No entanto todo o mundo conhece um amigo, um mentiroso, que depois do terceiro uísque [...]
Salvo melhor juízo, toda mulher normal tem nebulosidades. Nem todo o mundo concorda com isso, claro. Muito homem no bar bota banca, diz que tira mulher de letra, que nunca tomou umas canjebrinas a mais para curar cicatriz de paixonite.
Todo dia do ano é dia de alguém, dia de alguma coisa. No dia-a-dia não falta assunto; se faltasse, bastaria consultar a agenda das homenagens fixas que constam no calendário mês a mês. Toda profissão dá assunto. Evidente que há datas mais sugestivas do que outras.
Talvez as damas e os cavalheiros concordem neste ponto: a escola mudou pra caramba. Não é que tenha mudado a Lei da Gravidade, o Teorema de Pitágoras, a crase, o sujeito oculto, o coletivo de lobos.
Dizem que todo o mundo tem na vida, ou teve, uma paixão. Não vou discutir isso agora. O que sei, ou penso que saiba, é que toda paixão é fugaz como libélula à beira de um lago. Pescador entende a imagem.
Respeito as credulidades alheias. Respeito muito. Não acredito nelas nem a pau, mas acredito. Para ser mais objetivo, entendo certas pessoas que crêem com sinceridade em coisas das quais desacredito.
Tenho quase certeza de que a primeira lição de ética prática que tive na vida foi aprendida nas peladas de rua. Percebi isso anos e anos depois; antes a palavra ética soava estranho, constava no dicionário do Laudelino Freire como ethica, sem acento, e significava o conjunto de princípios morais pelos quais o indivíduo deve orientar o seu procedimento na atividade que exerce.
Podem espalhar até que fui namorado da Rosinha. Ué, quem não foi? Quem, em certa época das descobertas da vida, não namorou uma Rosinha?
Não fico nem um pouco envergonhado de dizer que sou da geração que teve patrão. Sei muito bem que, fora de corridas de barco de remo, patrão é uma palavra que lembra subordinação; acho que hoje é termo politicamente incorreto; e, dependendo da coisa, pode até soar como palavrão.