Almanaque Brasil


{julho de 1999}

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Jornalista, crítico literário e historiador, o homenageado deste mês foi um dos criadores da Ciência Social brasileira. Brincalhão, boêmio, tinha orgulho do filho famoso: gostava de ser tratado como “o pai do Chico”.
Nascido a 11 de julho de 1902, no bairro paulistano da Liberdade, aos 17 anos publica críticas literárias e torna-se amigo de Mário e de Oswald de Andrade. Em 1921, muda-se para o Rio, onde faz Direito na Universidade do Brasil. Funda a revista Estética, com Prudente de Morais Neto. Nomeado promotor em Cachoeiro do Itapemirim (ES), abandona o posto e volta ao Rio. Em 1929, vai para a Alemanha como correspondente de O Jornal. Freqüenta cursos, fascinado pelo sociólogo Max Weber. Começa a elaborar Raízes do Brasil (cuja leitura o Almanaque recomenda), lançado em 1936, ano em que, já de volta ao Brasil, casa com Maria Amélia Alvim. Dá aulas, trabalha na Biblioteca Nacional e, em 1953, passa um tempo na Itália, como professor visitante. Assume em 1958 a cátedra de Civilização Brasileira na Universidade de São Paulo, de onde sai em 1969, em protesto contra cassações de professores pela ditadura militar.
Supersticioso, detestava marrom e, fumante de dois maços por dia, jogava fora o 13º cigarro. Tinha medo da morte e brincava com Vinicius de Moraes: quem morresse primeiro, voltaria para contar como era o “outro lado”. Morre o Poetinha. Ele sonha com o amigo sorrindo e dizendo: “Não conto.” Apavorado, tranca-se na biblioteca de mais de 12 mil volumes, onde, dizia, curava qualquer coisa. Afirmava: “Os livros me deram o sentido da História. São a vida em comprimidos.”
Morreu a 24 de abril de 1982, às vésperas de completar 80 anos.

José Lucas Ferraz
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