Almanaque Brasil


{dezembro de 2008}

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Apesar da polêmica em torno da data de nascimento, o dia comumente aceito para a vinda ao mundo desta controversa figura enigmática é 20 de dezembro de 1636. Filho de um proprietário de engenhos, estudou com os jesuítas em Salvador até os 14 anos, quando foi cursar Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal. Formou-se em 1661 e, apenas dois anos depois, foi nomeado juiz em Alcácer do Sal, na região do Alentejo.
Voltou ao Brasil quarentão e viúvo. Apesar de seu envolvimento com questões religiosas, não poupava o clero, nem tampouco o governador-geral, em seus poemas bem-humorados e sarcásticos. Mulherengo, boêmio, irreverente e iconoclasta, tornou-se por aqui uma espécie de poeta maldito. Chegou a receber a alcunha de Boca do Inferno, pelo conteúdo profano de seus escritos. Ridicularizava políticos e religiosos, zombava dos mulatos, assediava freiras e satirizava os costumes do povo, sem fazer diferença entre classes sociais.
As provocações despertaram tamanha ira na sociedade baiana que, em 1694, foi deportado para Angola. Anos depois, graças à ajuda no combate a uma conspiração militar local, foi recompensado com o direito de retornar ao Brasil. Morreu em Recife, com uma febre contraída na África, mas não sem antes deixar uma última amostra de seu humor corrosivo.
Momentos antes de morrer, requisitou a presença de dois padres, obrigados a escutar calados suas últimas palavras: “Estou morrendo entre dois ladrões, tal como Cristo ao ser crucificado”, sapecou.

Clara Caldeira
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