Almanaque Brasil


{março de 2009}

Clique e veja a resposta

Desde criança gostava de discursar. A moderação atribuía ao nascimento, no dia 4 de março de 1910, em Minas Gerais: “Não há mineiro que não seja conciliador”. Presidente da Câmara Municipal de São João del Rei, o advogado liderava a campanha para prefeito. Eis que Getúlio Vargas fecha os órgãos legislativos e cancela as eleições. O jeito foi tocar a vida como empresário, sem imaginar que mais tarde estaria ao lado de Vargas. Como seu ministro da Justiça, na gestão de 1951, fez de tudo para cessar o movimento golpista que levaria o presidente ao suicídio.
Quando Jânio Quadros renunciou e conservadores queriam impedir que o vice, Jango, ocupasse seu lugar, foi essa mesma figura quem articulou o parlamentarismo como solução. E adivinha quem assumiu o cargo de primeiro-ministro?
Passou para oposição com o golpe de Estado que instaurou o regime militar. Dialogava com o governo, acalmava conservadores e radicais. Separou-se desses últimos no fim da ditadura, criando um partido de centro. Foi quando elegeu-se governador em sua terra natal.
“Se todos quisermos, dizia-nos há quase 200 anos Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, poderemos fazer deste País uma grande nação. Vamos fazê-la.” Fez essa proclamação ao Colégio Eleitoral em 1985. De forma indesejada, já que se empenhou muito na fracassada campanha por eleições diretas, havia sido escolhido líder máximo da República, o primeiro depois dos militares. Mas escondia um debilitado estado de saúde que, na véspera da posse, o fez parar no hospital. Morreu no aniversário do “herói enlouquecido”, seu conterrâneo, depois de seguidas cirurgias e 34 dias de agonia no País.

Natália Pesciotta
Nenhum comentário. Comente!
Compartilhar



Tags: ,