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- Maio de 2008
8................dia
do artista plástico
MENOS
UM ENTREGADOR
Por medo de ser atropelado, Cildo decidiu ser artista

OBRA DA SÉRIE INSERÇÕES EM CIRCUITOS IDEOLÓGICOS.
Meio-de-campo
habilidoso na adolescência, por pouco o artista plástico Cildo Meireles
não foi jogar no Flamengo. Em 1969, aos 21 anos, ganhou o prêmio
máximo no Salão da Bússola, mostra coletiva do Museu de Arte Moderna
do Rio. Decidido a seguir carreira internacional, mudou-se para
Nova York. Depois de apenas uma exposição nos Estados Unidos, abandonou
o mundo das artes. Passou a ganhar a vida sobre uma bicicleta, como
entregador. De volta ao Brasil em 1973, planejava retomar a carreira
– de entregador, não de artista plástico. Mas desistiu, com medo
de ser atropelado nas ruas cariocas. É dessa época um de seus trabalhos
mais célebres, a série Inserções em Circuitos Ideológicos, na qual
promoveu intervenções em objetos de ampla circulação. Decalcou nas
antigas garrafas de vidro retornáveis de Coca-Cola frases como “Yankees,
go home!” e carimbou em notas de dinheiro a pergunta “Quem matou
Herzog?”, em referência ao jornalista assassinado em 1975 pelo regime
militar. Em Entreventos (1994), o artista explora outras percepções
sensoriais: o visitante coloca na boca uma pedra de gelo doce e
outra salgada, enquanto percorre um túnel de madeira com um ventilador
e um aquecedor. Com trabalhos espalhados pelo mundo, Cildo exalta
os compatriotas: “Hoje em dia raramente há uma boa exposição de
artes plásticas que não tenha o trabalho de um brasileiro”. Em 2008,
ganhou o importante prêmio Velázquez, concedido pelo Ministério
de Cultura da Espanha. (RC)
SAIBA
MAIS
A
Idéia de Circulação na Obra de Cildo Meireles, dissertação de mestrado
de Thaís Rivitti (USP, 2007): http://poseca.incubadora.fapesp.br

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