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- Maio de 2008
3................dia
do sertanejo
TUDO
PELA PLATÉIA
Se preciso, Zé Sozinho põe Zorro no filme de Cristo

ZÉ SOZINHO.
José
Raimundo vem da linhagem dos Sozinhos. Herdou o apelido da mãe,
Maria. Mas fez por merecer. Na escola, fazia questão de sentar isolado
na sala de aula. Zé Sozinho fi cou. Aos 12 anos, deixou Caririaçu,
cidade serrana do sertão cearense, rumo a Fortaleza, onde encontrou
o cinema como companheiro. De volta ao sertão, começou a ajudar
os cinemas mambembes que passavam pela cidade. A partir de 1970,
quando adquiriu seu primeiro equipamento, passou a rodar o Nordeste
exibindo fi lmes. Nunca produziu, mas fez lá suas edições. Se exibia
um título duas vezes na mesma cidade, achava que era preciso mudar
o desfecho. “O único fi lme em que o artista morre no fi nal e os
cabra não acham ruim é o de Jesus.” Mas nem este escapou. Certa
vez, emendou pedaços de Zorro na Paixão de Cristo. Diante dos homens
armados que de repente surgiram na tela, surpresa geral da platéia.
Mas Zé logo justifi cou: “São os amigos de Jesus que vieram ajudar
ele”. O projecionista lembra também de quando passou uma série de
fi lmes sobre Sansão e Dalila. O povo reclamou. No dia seguinte,
estampou no cartaz: “Hoje: Nem Sansão, Nem Dalila”. E para quem
esperava o fi lme de Oscarito com este nome, decepção – passou um
dos títulos de O Gordo e o Magro. À espera de uma pensão para voltar
a viajar, Seu Zé mora sozinho em Caririaçu, onde faz exibições com
equipamEntos doados pelo Centro Cultural Banco do Nordeste. Se tem
um gênero preferido? “Passo o que eles pedem, mas gosto mesmo é
dos de karatê e vampiro!”. (Mariana Albanese)
SAIBA
MAIS
SAIBA MAIS Cine Zé Sozinho, de Adriano Lima (J.A. Lima Produções,
2007).
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