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- Maio de 2008
1................dia
da literatura brasileira
COZINHEIRO
DAS ALMAS
Geração de 22 temperava vida com diário coletivo

TRECHO DE O PERFEITO COZINHEIRO DAS ALMAS DESTE MUNDO.
São Paulo, maio de 1918. O apartamento
de Oswald de Andrade vive a efervescência que culminaria na Semana
de 1922. A todo momento, entram e saem figuras como Menotti del
Picchia, Léo Vaz, Guilherme de Almeida, Ignácio da Costa Ferreira,
Edmundo Amaral, Sarti Prado, Vicente Rao, Monteiro Lobato e a única
mulher da casa, Deisi. Em um caderno de 200 páginas, decidem iniciar
um diário de estilo livre feito a várias mãos, intitulado O Perfeito
Cozinheiro das Almas Deste Mundo. Ali cabe de tudo: de recados a
declarações de amor; de trocadilhos a pilhérias dirigidas aos cidadãos
e aos combatentes da Primeira Guerra Mundial. Colam cartas, recortes,
grampos de cabelo, pentes; deixam manchas de batom. Todos assinam
com pseudônimos: Oswald é Miramar; Pedro de Almeida é João de Barros;
Deisi é Cíclone. Um certo Viruta escreve: Cúmulo de paciência: catar
carrapatos com luvas de boxe. Ao que M. replica: Da impaciência:
jogar boxe com luvas de pelica. Em outra página, surgem provocações
intelectuais: Ferrignac, você é um dos raros trocadilhistas que
eu admiro. Leopoldro. Mais abaixo: Miramar, você é um dos raros
patifes que eu conheço... Vaz-Elina. A morte prematura de Deisi,
ainda naquele ano, antecipa o fi m do Cozinheiro, que ao menos conseguira
alcançar ao que se propunha: “formar, no ambiente colorido e musical
deste retiro, o cardápio perfeito para o banquete da vida”.(DG)
SAIBA MAIS O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste
Mundo, de Oswald de Andrade (Editora Globo, 1992).

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